Archive for March, 2010

Contra a candidatura de Dilma

Wednesday, March 31st, 2010

Por Bia Barbosa, da Carta Maior

Em seminário promovido pelo Instituto Millenium em SP, representantes dos  principais veículos de comunicação do país afirmaram que o PT é um partido contrário à liberdade de expressão e à democracia. Eles acreditam que se Dilma for eleita o stalinismo será implantado no Brasil. “Então tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução dos meios de comunicação. Temos que ser ofensivos e agressivos, não adianta reclamar depois”, sentenciou Arnaldo Jabor.

Se algum estudante ou profissional de comunicação desavisado pagou os R$500,00 que custavam a inscrição do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, organizado pelo Instituto Millenium, acreditando que os debates no evento girariam em torno das reais ameaças a esses direitos fundamentais, pode ter se surpreendido com a verdadeira aula sobre como organizar uma campanha política que foi dada pelos representantes dos grandes veículos de comunicação nesta segunda-feira, em São Paulo.

Promovido por um instituto defensor de valores como a economia de mercado e o direito à propriedade, e que tem entre seus conselheiros nomes como João Roberto Marinho, Roberto Civita, Eurípedes Alcântara e Pedro Bial, o fórum contou com o apoio de entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), ANER (Associação Nacional de Editores de Revista), ANJ (Associação Nacional de Jornais) e Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade). E dedicou boa parte das suas discussões ao que os palestrantes consideram um risco para a democracia brasileira: a eleição de Dilma Rousseff.

A explicação foi inicialmente dada pelo sociólogo Demétrio Magnoli, que passou os últimos anos combatendo, nos noticiários e páginas dos grandes veículos, políticas de ação afirmativa como as cotas para negros nas universidades. Segundo ele, no início de sua história, o PT abrangia em sua composição uma diversidade maior de correntes, incluindo a presença de lideranças social-democratas. Hoje, para Magnoli, o partido é um aparato controlado por sindicalistas e castristas, que têm respondido a suas bases pela retomada e restauração de um programa político reminiscente dos antigos partidos comunistas.

“Ao longo das quatro candidaturas de Lula, o PT realizou uma mudança muito importante em relação à economia. Mas ao mesmo tempo em que o governo adota um programa econômico ortodoxo e princípios da economia de mercado, o PT dá marcha ré em todos os assuntos que se referem à democracia. Como contraponto à adesão à economia de mercado, retoma as antigas idéias de partido dirigente e de democracia burguesa, cruciais num ideário anti-democrático, e consolida um aparato partidário muito forte que reduz brutalmente a diversidade política no PT. E este movimento é reforçado hoje pelo cenário de emergência do chavismo e pela aliança entre Venezuela e Cuba”, acredita.

“O PT se tornou o maior partido do Brasil como fruto da democracia, mas é ambivalente em relação a esta democracia. Ele celebra a Venezuela de Chávez, aplaude o regime castrista em seus documentos oficiais e congressos, e solta uma nota oficial em apoio ao fechamento da RCTV”, diz.

A RCTV é a emissora de TV venezuelana que não teve sua concessão em canal aberto renovada por descumprir as leis do país e articular o golpe de 2000 contra o presidente Hugo Chávez, cujo presidente foi convidado de honra do evento do Instituto Millenium. Hoje, a RCTV opera apenas no cabo e segue enfrentando o governo por se recusar a cumprir a legislação nacional. Por esta atitude, Marcel Granier é considerado pelos organizadores do Fórum um símbolo mundial da luta pela liberdade de expressão – um direito a que, acreditam, o PT também é contra.

“O PT é um partido contra a liberdade de expressão. Não há dúvidas em relação a isso. Mas no Brasil vivemos um debate democrático e o PT, por intermédio do cerceamento da liberdade de imprensa, propõe subverter a democracia pelos processos democráticos”, declarou o filósofo Denis Rosenfield. “A idéia de controle social da mídia é oficial nos programas do PT. O partido poderia ter se tornado social-democrata, mas decidiu que seu caminho seria de restauração stalinista. E não por acaso o centro desta restauração stalinista é o ataque verbal à liberdade de imprensa e expressão”, completou Magnoli.

O tal ataque Para os pensadores da mídia de direita, o cerco à liberdade de expressão não é novidade no Brasil. E tal cerceamento não nasce da brutal concentração da propriedade dos meios de comunicação característica do Brasil, mas vem se manifestando há anos em iniciativas do governo Lula, em projetos com o da Ancinav, que pretendia criar uma agência de regulação do setor audiovisual, considerado “autoritário, burocratizante, concentracionista e estatizante” pelos palestrantes do Fórum, e do Conselho Federal de Jornalistas, que tinha como prerrogativa fiscalizar o exercício da profissão no país.

“Se o CFJ tivesse vingado, o governo deteria o controle absoluto de uma atividade cuja liberdade está garantida na Constituição Federal. O veneno antidemocrático era forte demais. Mas o governo não desiste. Tanto que em novembro, o Diretório Nacional do PT aprovou propostas para a Conferência Nacional de Comunicação defendendo mecanismos de controle público e sanções à imprensa”, avalia o articulista do Estadão e conhecido membro da Opus Dei, Carlos Alberto Di Franco.

“Tínhamos um partido que passou 20 anos fazendo guerra de valores, sabotando tentativas, atrapalhadas ou não, de estabilização, e que chegou em 2002 com chances de vencer as eleições. E todos os setores acreditaram que eles não queriam fazer o socialismo. Eles nos ofereceram estabilidade e por isso aceitamos tudo”, lamenta Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, que faz questão de assumir que Fernando Henrique Cardoso está à sua esquerda e para quem o DEM não defende os verdadeiros valores de direita. “A guerra da democracia do lado de cá esta sendo perdida”, disse, num momento de desespero.

O deputado petista Antonio Palocci, convidado do evento, até tentou tranqüilizar os participantes, dizendo que não vê no horizonte nenhum risco à liberdade de expressão no Brasil e que o Presidente Lula respeita e defende a liberdade de imprensa. O ministro Hélio Costa, velho amigo e conhecido dos donos da mídia, também. “Durante os procedimentos que levaram à Conferência de Comunicação, o governo foi unânime ao dizer que em hipótese alguma aceitaria uma discussão sobre o controle social da mídia. Isso não será permitido discutir, do ponto de vista governamental, porque consideramos absolutamente intocável”, garantiu.

Mas não adiantou. Nesta análise criteriosa sobre o Partido dos Trabalhadores, houve quem teorizasse até sobre os malefícios da militância partidária. Roberto Romano, convidado para falar em uma mesa sobre Estado Democrático de Direito, foi categórico ao atacar a prática política e apresentar elementos para a teoria da conspiração que ali se construía, defendendo a necessidade de surgimento de um partido de direita no país para quebrar o monopólio progressivo da esquerda.

“O partido de militantes é um partido de corrosão de caráter. Você não tem mais, por exemplo, juiz ou jornalista; tem um militante que responde ao seu dirigente partidário (…) Há uma cultura da militância por baixo, que faz com que essas pessoas militem nos órgãos públicos.. E a escolha do militante vai até a morte. (…) Você tem grupos políticos nas redações que se dão ao direito de fazer censura. Não é por acaso que o PT tem uma massa de pessoas que considera toda a imprensa burguesa como criminosa e mentirosa”, explica.

O “risco Dilma”

Convictos da imposição pelo presente governo de uma visão de mundo hegemônica e de um único conjunto de valores, que estaria lentamente sedimentando-se no país pelas ações do Presidente Lula, os debatedores do Fórum Democracia e Liberdade de Expressão apresentaram aos cerca de 180 presentes e aos internautas que acompanharam o evento pela rede mundial de computadores os riscos de uma eventual eleição de Dilma Rousseff. A análise é simples: ao contrário de Lula, que possui uma “autonomia bonapartista” em relação ao PT, a sustentação de Dilma depende fundamentalmente do Partido dos Trabalhadores. E isso, por si só, já representa um perigo para a democracia e a liberdade de expressão no Brasil.

“O que está na cabeça de quem pode assumir em definitivo o poder no país é um patrimonialismo de Estado. Lula, com seu temperamento conciliador, teve o mérito real de manter os bolcheviques e jacobinos fora do poder. Mas conheço a cabeça de comunistas, fui do PC, e isso não muda, é feito pedra. O perigo é que a cabeça deste novo patrimonialismo de estado acha que a sociedade não merece confiança. Se sentem realmente superiores a nós, donos de uma linha justa, com direito de dominar e corrigir a sociedade segundo seus direitos ideológicos”, afirma o cineasta e comentarista da Rede Globo, Arnaldo Jabor.

“Minha preocupação é que se o próximo governo for da Dilma, será uma infiltração infinita de formigas neste país. Quem vai mandar no país é o Zé Dirceu e o Vaccarezza. A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”, alerta Jabor.

Para Denis Rosenfield, ao contrário de Lula, que ganhou as eleições fazendo um movimento para o centro do espectro político, Dilma e o PT radicalizaram o discurso por intermédio do debate de idéias em torno do Programa Nacional de Direitos Humanos 3, lançado pelo governo no final do ano passado.

“Observamos no Brasil tendências cada vez maiores de cerceamento da liberdade de expressão. Além do CFJ e da Ancinav, tem a Conferência Nacional de Comunicação, o PNDH-3 e a Conferência de Cultura. Então o projeto é claro. Só não vê coerência quem não quer”, afirma. “Se muitas das intenções do PT não foram realizadas não foi por ausência de vontades, mas por ausência de condições, sobretudo porque a mídia é atuante”, admite.

Hora de reagir

E foi essa atuação consistente que o Instituto Millenium cobrou da imprensa brasileira. Sair da abstração literária e partir para o ataque.

“Se o Serra ganhasse, faríamos uma festa em termos das liberdades. Seria ruim para os fumantes, mas mudaria muito em relação à liberdade de expressão. Mas a perspectiva é que a Dilma vença”, alertou Demétrio Magnoli.

“Então o perigo maior que nos ronda é ficar abstratos enquanto os outros são objetivos e obstinados, furando nossa resistência. A classe, o grupo e as pessoas ligadas à imprensa têm que ter uma atitude ofensiva e não defensiva.

Temos que combater os indícios, que estão todos aí. O mundo hoje é de muita liberdade de expressão, inclusive tecnológica, e isso provoca revolta nos velhos esquerdistas. Por isso tem que haver um trabalho a priori contra isso, uma atitude de precaução. Senão isso se esvai. Nossa atitude tem que ser agressiva”, disse Jabor, convocando os presentes para a guerra ideológica.

“Na hora em que a imprensa decidir e passar a defender os valores que são da democracia, da economia de mercado e do individualismo, e que não se vai dar trela para quem quer a solapar, começaremos a mudar uma certa cultura”, prevê Reinaldo Azevedo.

Um último conselho foi dado aos veículos de imprensa: assumam publicamente a candidatura que vão apoiar. Espera-se que ao menos esta recomendação seja seguida, para que a posição da grande mídia não seja conhecida apenas por aqueles que puderam pagar R$ 500,00 pela oficina de campanha eleitoral dada nesta segunda-feira.

A decepção internacional com Lula

Wednesday, March 24th, 2010

Para Luiz Inácio Lula da Silva, os presos políticos cubanos são      delinqüentes como os piores criminosos encarcerados nas prisões do     Brasil. Lula adotou, cruelmente, o ponto de vista de seu amigo Fidel     Castro. Para ele, pedir eleições democráticas, emprestar livros     proibidos e escrever em jornais estrangeiros – os “delitos”     cometidos pelos 75 dissidentes presos em 2003, condenados a até 28    anos – equivale a matar, roubar ou seqüestrar. Para Lula, Oscar      Elías Biscet, um médico negro sentenciado a 25 anos por defender os     direitos humanos e se opor ao aborto, é apenas um criminoso     empedernido. Dentro de seu curioso código moral, é compreensível a     morte do preso político Orlando Zapata ou a possível morte de     Guillermo Fariñas, em greve de fome para pedir a libertação de 26     presos políticos doentes. 
  
    Os democratas cubanos não são os únicos decepcionados com o     brasileiro. Na última etapa de seu governo, Lula está demolindo a     boa imagem que desfrutou no começo. Recordo, há cerca de três anos,     uma conversa que tive no Panamá com Jeb Bush, ex-governador da     Flórida. Ele me disse que seu irmão George, então presidente dos      EUA, tinha uma relação magnífica com Lula e estava convencido de que      ele era um aliado leal. Isso me pareceu uma ingenuidade, mas não      comentei a questão. 

Alguns dias atrás, *um ex-embaixador americano, que prefere o      anonimato, me disse exatamente o contrário: “Todos nos equivocamos      com Lula. Ele é um inimigo contumaz do Ocidente e, muito      especialmente, dos EUA, embora trate de dissimulá-lo”. **E, em      seguida, com certa indignação, criticou a cumplicidade do Brasil com      o Irã no tema das sanções pelo desenvolvimento de armas nucleares, o      apoio permanente a Hugo Chávez e a irresponsabilidade com que      manejou a crise de Honduras ao conceder asilo a Manuel Zelaya na      embaixada em Tegucigalpa, violando as regras da diplomacia      internacional.
  
  Na realidade, o comportamento de Lula não é surpreendente. Em 1990,      quando o Muro de Berlim foi derrubado, o líder do Partido dos      Trabalhadores  apressou-se em criar o Fórum de São Paulo com Fidel      Castro para coordenar a colaboração entre as forças violentas e      antidemocráticas da América Latina. Ali estavam as guerrilhas das       Farc e do ELN na Colômbia, partidos comunistas de outros tantos      países, a FSLN da Nicarágua e o FMLN de El Salvador. Enquanto o      mundo livre celebrava o desaparecimento da União Soviética e das      ditaduras comunistas no Leste Europeu, Lula e Fidel recolhiam os       escombros do marxismo violento para tratar de manter vigente o      discurso político que conduziu a esse pesadelo, e estabeleciam uma      cooperação internacional que substituísse a desvanecida liderança      soviética na região. 

No Brasil, sujeito a uma realidade política que não pôde modificar,     Lula comporta-se como um democrata moderno *e não se afastou     substancialmente das diretrizes econômicas traçadas por Fernando     Henrique Cardoso,* mas no terreno internacional, onde afloram suas      verdadeiras inclinações, *sua conduta é a de um revolucionário      terceiro-mundista dos anos 60. 

De onde vem essa militância radical?* A hipótese de um presidente     latino-americano que o conhece bem, também decepcionado, aponta para      sua ignorância*: “Esse homem é de uma penosa fragilidade      intelectual. Continua sendo um sindicalista preso à superstição da      luta de classes. Não entende nenhum assunto complexo, carece de      capacidade de fixar a atenção, tem lacunas culturais terríveis e por      isso aceita a análise dos marxistas radicais que lhe explicaram a      realidade como um combate entre bons e maus.” *Sua frase final, dita      com tristeza, foi lapidar: *”Parecia que Lula, com sua simpatia e      pelo bom momento que seu país atravessa, converteria o Brasil na      grande potência latino-americana. Falso. Ele destruiu essa      possibilidade ao se alinhar com os Castro, Chávez e Ahmadinejad.
    Nenhum país sério confia mais no Brasil”.* Muito lamentável
 
   
 

“Há um IDIOTA no poder, mas os que o elegeram estão bem representados”.
(Lindon Johnson)
 
“Não existe caminho para a liberdade. A liberdade é o caminho.”
 
?Não há noite tão longa que jamais encontre o dia?
(William Shakespeare, em Macbeth)
 
O Brasil é um país que não tem conserto… Somos governados por canalhas
porque os eleitores são culturalmente analfabetos…
 
Ok, ok, a terra é redonda, presidente! Mas e a besta, é quadrada?

“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão,
perder com classe e vencer com ousadia porque o mundo pertence a quem se
atreve e a vida é MUITO para ser insignificante.” (C. Chaplin