O APELO DO CRISTO!
–Quando era pequeno vi muito sofrimento em meu povo, pois eram, oprimidos e cerceados em seu direito a vida. Cresci em meio a muita dificuldade, onde quase todos eram pobres e mentalmente desequilibrados. Via coisas horríveis que as pessoas faziam em nome de Deus, e me perguntava: “Por que?”
–Conforme fui crescendo e me tornei adulto, tentei ser como todos e levar a vida da melhor maneira possível, mas não consegui, pois a falta de bom senso dos homens era muito grande, me fazendo refletir e finalmente agir a favor de todos, pois todos sofriam! Não eram, só os pobres e oprimidos que sofriam, os ricos e exploradores também, pois ninguém dorme um sono tranqüilo tirando proveito dos outros: “Eles podem até dissimular, mas no fundo sofrem por seus atos!”
–Preciso confessar uma coisa: “Viver sobre o jugo dos Romanos não era tão ruim, pois mesmo tendo que se submeter a seus impostos e desmandos, eles tiraram um pouco de poder dos Sacerdotes, e isso, aliviava um pouco o sofrimento de todos.”
–Não sabia muito bem como agir para ajudar, nossa crença era muito cruel e desumana matando por qualquer motivo, portanto, tinha que ser cauteloso no começo, pois se não, não passaria dos primeiros dias.
–Tentei mostras as falhas das pregações em nome de Deus, dando ao povo formas que os levassem a agir e pensar com menos crueldade para com seu próximo, fazendo-os pensar com mais amor e compaixão, (Compaixão era uma palavra que se falava muito, mais que se usava pouco, muito pouco!) mas era difícil para um povo que só havia ouvido histórias de guerras em nome de seu Deus, encarar a compaixão e o amor com bons olhos, isso era para eles sinal de fraqueza, e pior, sinal da falta da presença de Deus, pois achavam que Deus os abandonara justamente por esse motivo.
–Quando comecei a falar com as pessoas fiquei impressionado com a empatia que sentia vindo delas, e isso me ajudou em muito a agüentar os desmandos e preconceitos encontrados em meu caminho, pois era muito criticado por falar com todos que em meu caminho cruzavam.
–Não descriminava ninguém, pois todos somos frutos de uma única criação, a criação do verdadeiro Deus!
–Tentei de todas as formas não mistificar minhas intenções, mas de nada valeu, pois as pessoas criaram essas mistificações sem meu consentimento, tentando me dar uma descrição divina que na verdade não existia.
(Eu era tão divino como qualquer outro que cruzei em meu caminho) e Isso de certa forma, foi o que acabou me levando para a morte, destruindo por completo minhas verdadeiras intenções.
–Na verdade, as mistificações são o grande problema humano, pois gera muito preconceito e da poder a quem não deveria ter, trazendo muito dor e sofrimento para todos, inclusive para você. A mistificação religiosa é a forma mais fácil de domínio popular, por isso tinham que ser erradicadas, mas não consegui, infelizmente! Pelo contrario, me transformou em um grande exemplo de mistificação e no objeto de guerras e discórdia mais intenso de todos os tempos.
–Meu sofrimento é grande e eterno, pois não estou vendo saída para minha dor que é grande, muito grande. Fazem coisas em meu nome, que nem “Jesus Cristo” é, pois este me foi dado na posteridade: Matam; mentem; criam; destroem; edificam; entristecem-me.
–Sofro a cada estocada em meu corpo, em cada prego que colocam a mais nos meus pés e punhos, a cada espinho novo em minha coroa, pois cada vez que fazem algo em meu nome é isso que cinto: “Sinto que na verdade não me querem fora de minha cruz, sinto que me querem cada vez mais pregados a ela, pois na verdade me usam para aliviar suas aflições, que de certa forma me acalenta um pouco o coração, mas infelizmente não aliviam o sofrimento do mundo, pois as ambições humanas são muito mais presentes que as aflições.”
–Meu legado é triste, pois desvio as pessoas de seu caminho, tirando delas a sua responsabilidade por seus erros, pois os jogam em mim, e isso é muito doloroso e desgastante, me sinto só e as vezes desamparado, me sinto só e cansado.
–Vocês precisam entender que suas aflições são necessárias para que aprendam a superá-las, não podem descarregá-las em outrem, pois assim não estão aprendendo, estão só adiando sua própria busca pela felicidade.
–Me mistificam me chamando de milagreiro, de curador, transformando a capacidade de cada um de se curar de seus males em uma forma de se aproveitar da credulidade popular! Na verdade não existem milagres, existe sim, a vontade de viver, e isso é o verdadeiro milagre que condiciona as pessoas a se levantar e se curar de seus males, que em sua maioria foram criados por elas mesmas, em seus momentos de aflições e fraqueza.
–Queria que nada disso tivesse acontecido! Felizmente sempre existe uma forma de tirar algo de bom dos infortúnios da vida, portanto, ainda tenho esperança de que um dia possa voltar a viver normalmente, de ter meu caminho restabelecido e minha liberdade de volta, para que possa então dizer a todos que estou feliz e em paz.
Texto escrito e enviado por Roberto Marquette.
