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BCs cortam juros

Thursday, October 9th, 2008

Bancos centrais ao redor do mundo reduziram em conjunto as taxas de juro nesta quarta-feira, na primeira ação política coordenada da história, à medida que os temores de uma recessão profunda ofuscaram as preocupações recentes sobre a inflação.

Em uma tentativa para combater a pior crise financeira global desde os anos de 1930, os bancos centrais dos Estados Unidos, da zona do euro, da Grã-Bretanha, da Suíça, do Canadá e da Suécia reduziram suas taxas básicas de juro em 0,5 por cento.

O anúncio inesperado gerou volatilidade nos mercados de ações globais, que já perderam trilhões de dólares ao longo do ano passado. Mas ele não conseguiu ganhar a confiança de qualquer mercado.

O mercado de ações europeu fechou com fortes perdas e as bolsas de valores de Wall Street operaram com forte volatilidade. O índice Dow Jones fechou com queda de 209 pontos, após ter chegado a apresentar alta de mais de 120 pontos.

O setor financeiro europeu também apresentou turbulência com o governo britânico afirmando que está preparado para injetar 50 bilhões de libras (87 bilhões de dólares) nos bancos.

O governo da Islândia adquiriu dois de seus maiores bancos, desistiu de segurar o valor de sua moeda e pediu um empréstimo de emergência para a Rússia.

“A confiança foi perdida e é difícil de recuperar”, disse Ian Nakamoto, diretor de pesquisa na MacDougall, MacDougall & MacTier em Toronto.

A redução conjunta incluiu a China pela primeira vez. O Banco do Japão informou que não vê necessidade de reduzir a taxa de juro do país, mas apoiou fortemente a ação coordenada.

Mais cedo, Hong Kong divulgou um corte de juro inesperado, reduzindo sua taxa básica de juro em 1 ponto percentual, indo ao encontro de redução similar na Austrália um dia antes.

“Os bancos centrais no mundo finalmente acordaram para a gravidade da situação atual”, disse Charles Diebel, diretor de estratégias para taxas de juros da Nomura International. “Esse é um grande passo para convencer o mundo de que eles estão determinados em relação à estabilização.”

TEMPESTADE À FRENTE

O Fundo Monetário Internacional divulgou sua previsão mais pessimista em anos, dizendo que a economia mundial está fadada a um declínio maior com os Estados Unidos e a Europa à beira da recessão ou já inseridos nela.

Os varejistas norte-americanos apresentaram um número decepcionante de vendas em setembro, apenas alguns dias após os EUA terem divulgado uma redução de 159 mil postos de trabalho em setembro, levando a perda acumulada no ano para 760 mil.

Em entrevista à imprensa, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, clamou por mais ações coletivas.

“Os governos têm e devem continuar a agir individualmente e em conjunto para aumentar a liquidez no mercado, para fortalecer as instituições financeiras por meio da provisão de capitais… e para proteger as economias de nossos cidadãos”, disse.

Ao menos os preços do petróleo caíram após o governo norte-americano ter divulgado um aumento nos estoques.

Água fria no “aquecimento global”

Monday, April 21st, 2008

por Thoamas Sowell

Tem se transformado em piada o cancelamento de alguma conferência sobre o “aquecimento global” por causa de uma nevasca ou coisa parecida.

Mas a histeria não é piada – e criar histeria é a mais importante atividade daqueles que se aproveitam da “crise” do aquecimento global.

Eles mobilizam pessoas semelhantes a si mesmos para uma variedade de ocupações, os chamam de “cientistas” e então alegam que “todos” os experts concordam sobre a crise do aquecimento global.

O maior argumento é de que não há argumento.

Toda uma indústria tem surgido dos indivíduos que conseguem fundos para pesquisa, das agências governamentais reguladoras, dos políticos que desejam publicidade e dos indivíduos indignados que desejam algo com que se indignarem. Há também os professores que conseguem, com isso, algo sobre o que falar nas salas de aula em vez de lecionar.

Aqueles que se preocupam em verificar os fatos, não raro, descobrem que nem todos os que são chamados de cientistas são, realmente, cientistas, e nem todos aqueles que são cientistas são especialistas em clima. Mas quem se preocupa em verificar os fatos hoje em dia?

Uma nova e diferente conferência sobre o aquecimento global ocorrerá em Nova York, sob o patrocínio do Heartland Institute, de 2 a 4 de março – se o clima permitir.[*]

Seu título é “Conferência Internacional sobre Mudança Climática”. Seu subtítulo é “Aquecimento Global: Verdade ou Fraude?”. Dentre os presentes estarão professores de climatologia, cientistas de outros campos e diferentes profissionais.

São cientistas e professores de universidades da Inglaterra, Hungria e Áustria, como também de universidades dos EUA e Canadá. Dentre vários dignitários, estará presente o presidente da República Tcheca.

Serão 98 palestrantes e 400 participantes.

O tema da conferência é que “não há nenhum consenso científico sobre as causas ou as possíveis conseqüências do aquecimento global”.

Muitos dos participantes na conferência são indivíduos que já expressaram ceticismo tanto sobre as explicações prevalecentes sobre as alterações climáticas, quanto sobre as ousadas previsões a respeito das alterações futuras.

Entre os céticos se incluem os autores de livros como Unstoppable Global Warming: Every 1500 Years [Aquecimento Global Interminável: A cada 1500 anos], escrito por Fred Singer e Denniss Avery, ou Shattered Consensus [Consenso Destruído], editado por Patrick J. Michaels.

Essa será uma das raras oportunidades para a mídia ouvir o outro lado da história – para aqueles jornalistas fora de moda que ainda acreditam que seu trabalho é informar o público, em vez de promover uma agenda.

O subtítulo da conferência – “Aquecimento Global: Verdade ou Fraude?” – é também o título do programa do canal de TV britânico que está agora disponível em DVD nos EUA. É um devastador desmascaramento da histeria atual sobre o “aquecimento global”.

Ninguém nega que há uma coisa chamada efeito estufa. Se não houvesse, o lado do planeta que não estivesse voltado para o sol congelaria toda noite.

Não há também muita controvérsia sobre as medições de temperatura. O que está fundamentalmente em questão são as explicações, implicações e extrapolações dessas medições de temperatura.

O argumento daqueles que dizem que estamos rumo a uma crise de aquecimento global de proporções épicas é que as atividades humanas que geram dióxido de carbono são o fator-chave responsável pelo aquecimento que tem acontecido recentemente.

O problema com esse raciocínio é que as temperaturas subiram e, só então, os níveis de dióxido de carbono subiram. Alguns cientistas dizem que o aquecimento causou a elevação dos níveis de dióxido de carbono, em vez do contrário.

Muitos fatores naturais, incluindo-se variações da quantidade de calor fornecido pelo sol, podem causar o aquecimento ou resfriamento da Terra.

O maior problema é que tudo isso se transformou numa cruzada em vez de se constituir um esforço lógico baseado em evidência. As pessoas têm interesses específicos muito grandes para arriscarem a jogar os dados, o que é, em última análise, equivalente a recorrer às evidências.

Aqueles que têm um grande interesse na histeria do aquecimento global provavelmente não participarão da conferência em Nova York e, infelizmente, isso inclui a maior parte da mídia.

[*] Este artigo foi escrito uma semana antes da conferência. (N. do T.)

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo